Desta vez não te vou falar de um peixe, de uma estrela-do-mar ou de um polvo-gigante. Vou falar-te de uma ave. Uma andorinha que saberás reconhecer facilmente, pois tem as penas pretas e uns bonitos bigodes brancos.
Para contrastar o bico e as patas são vermelhas. Ao contrário de outras aves, os machos e fêmeas da andorinha-do-mar-inca têm um aspeto semelhante, sendo difícil distingui-los.
Esta ave vive longe de Portugal, e voa agilmente sobre o mar, junto à costa da América do Sul. É uma espécie migradora característica desta zona. A andorinha-do-mar-inca vive em bandos, por vezes de milhares de indivíduos, que passam o verão nas costas do Peru e no norte do Chile. Aqui constroem os seus ninhos numa fenda de uma rocha ou numa velha toca de um pinguim ou outra ave marinha. No inverno, mudam-se para as zonas costeiras desde o Equador até ao centro do Chile. No mar, a andorinha alimenta-se de peixes mergulhando o bico na água. Sempre atenta, aproveita para pescar enquanto os leões-marinhos, as baleias ou os corvos-marinhos se alimentam de grandes cardumes. No entanto, alterações nas correntes marinhas diminuem a quantidade de alimento nesta costa, afectando as espécies que aí habitam. Muitas ficam sem alimento, como é o caso desta andorinha. A pesca excessiva do seu alimento favorito, as anchovas, e ainda uma indústria que recolhe os dejetos (guano) desta e de outras aves, fazem com que esta andorinha esteja em perigo de extinção. Na natureza existem só cerca de 150 000 indivíduos.
No Oceanário de Lisboa, no habitat do Antártico, junto ao pinguins, há uma família de andorinhas-do-mar (Larosterna inca) pronta para te receber. Não te admires se te atirarem com um peixe... fazem isso quando querem namorar!
