Lavar o carro, limpar a casa, lavar a roupa, lavar os dentes, são rotinas de limpeza que fazem parte do nosso dia-a-dia.
Nos oceanos podemos encontrar verdadeiras estações de serviço, onde alguns peixes param para serem limpos. Curioso, não achas?
Nestes locais, que estão sempre a funcionar, os incansáveis trabalhadores chamam-se bodiões-limpadores.
A equipa de serviço, com a sua farda branca com uma risca preta e outra azul, é constituída por um par de adultos, um grupo de fêmeas dominadas por um macho ou por um grupo de juvenis. Com a porta sempre aberta, recebem os seus clientes, que limpam com esmero. Normalmente, são os peixes maiores que se dirigem a estes locais para fazer a sua higiene. Os bodiões-limpadores removem-lhes os parasitas e a sujidade. Limpam a pele, as escamas, as brânquias e, por serem bastante destemidos, podem até ser vistos dentro da boca de grandes garoupas. Esta relação é muito original, se pensarmos que as garoupas têm um papel muito importante como predadores de topo. Neste caso, estabelecem uma ligação muito útil com o bodião-limpador: ambos são beneficiados e dependem um do outro. As garoupas ficam limpas e os bodiões-limpadores comem uma bela refeição! Seria impossível imaginar os recifes de coral sem os bodiões-limpadores, pois são fundamentais para o equilíbrio deste ecossistema.
Não restam dúvidas de que esta pequena espécie é admirável. Para a veres tens de espreitar dentro da boca de uma das grandes garoupas que vivem no aquário central, no Oceanário de Lisboa.
Conta a lenda que a arte de limpar os peixes era ensinada pelos pais aos pequenos bodiões-limpadores. E, no passado, havia famílias de limpadores que recebiam medalhas de mérito de limpeza e eficiência na remoção de parasitas!
Bodião-limpador, Labroides dimidiatus
Fotografia: Richard Field
